segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Fernando Gallas - Artesão


FERNANDO GALLAS
Natural de São Luís nasceu em 1935 em uma família de 5 irmãos e vivia mudando-se de cidade por conta da profissão do pai (antigo fiscal do Imposto de Consumo), mudou-se ainda criança, com 3 anos, para a Bahia. Morou ainda em Pernambuco, Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo e Rio de Janeiro. Apesar da distância da terra natal, sempre voltava para visitar os parentes, pelo menos uma vez por ano. Por volta dos 15 anos, pediu para a mãe matriculá-lo num curso livre de arte em Salvador, onde estudou até os 21 anos, tendo sido seus professores, os mestres Calazans Neto (artista plástico baiano falecido em 2006), Carybé (Hector Julio Páride Bernabó – artista plástico, pesquisador, historiador e jornalista argentino naturalizado e radicado no Brasil), Mário Cravo (referência da arte Moderna baiana nas décadas de 40 e 50) e Floriano Teixeira (artista plástico autodidata, outro “monstro” maranhense). Aos 22 anos ingressa na Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, cursando administração, arquitetura e belas artes.
Profissionalmente fez um pouco de tudo nas ares de comunicação e publicidade. No final da década de 60 foi chamado para ser prefeito do Campus da Universidade Católica de Salvador (UCSAL). No mesmo período exerceu o cargo de diretor industrial de uma fábrica de cigarros, onde ficou responsável pela área de embalagens desenvolvida na gráfica da própria fábrica. Como havia feito um curso sobre o então inovador sistema de impressão offset ,fora contratado por alguns matutinos baianos para implantar e cuidar inicialmente da parte gráfica dos jornais.
Como prefeito de Campus – cargo exercido por oito anos --, teve contato com reitores de outras universidades brasileiras, inclusive a Federal de Pernambuco, foi quando conheceu o então programa de extensão “Ouvir o Fazer”, que fomentava a produção dos artesãos ceramistas pernambucanos. A partir daí partiu o interesse e produzir peças em cerâmicas. Para conhecer um pouco mais sobre a arte, no início dos anos 70 parte para a pesquisa de campo, quando adquire conhecimento na área de cerâmica. Deixa a universidade para se dedicar à carreira de artesão; numa tentativa de ter seu trabalho reconhecido, logo após ter saído da UCSAL, montou suas peças numa barraca de praia e foi mostrar suas peças no bairro Campo Grande, em frente ao Teatro Castro Alves (tido como o mais importante centro artístico de Salvador). Por conta deste episódio, os jornais publicaram uma matéria sobre a mudança repentina de vida de Fernando Gallas e algumas pessoas chegaram a pensar que ele havia enlouquecido.
Como artista, participou de diversos seminários, congressos e feiras, dentro e fora do país. Foi indicado para representar artesanato na ocasião da extinção do Programa Nacional do Artesanato, no governo Collor, em 90, e em seguida para a implantação do Programa do Artesanato Brasileiro. Representou ainda o artesanato brasileiro em encontros em Cuba e no México por indicação da Unesco. Numa de suas exposições, desta vez na Bienal de São Paulo, em 1990 chamou a atenção de uma executiva da (joalheria) H. Stern. Esse contato lhe rendeu um contrato de exclusividade de cinco anos com a empresa e suas puderam ser vista em todas as lojas H. Stern do Brasil. No entanto, em 1999, Fernando Gallas decide voltar definitivamente para o Maranhão. Após ter conquistado o mercado do artesanato na Bahia, o artista sofre uma desilusão pessoal, larga tudo inclusive sua oficina de produção com seus funcionários e volta para o acalanto de sua terra natal. Aqui chegando conheceu o artesanato no Ceprama, trocou experiências, foi contratado como instrutor de artes pelo Sebrae, foi o único artesão a expor uma mostra de miniaturas em cerâmica durante o Circuito Cultural Banco do Brasil em São Luís, no ano de 2004. Atualmente, aos 72 anos vive na Morada das Artes, na Praia Grande produzindo souvenires para lojas de artesanato.

Fonte: Entrevista com o artista e catálogo H, Stern

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